Ontem achei que hoje seria o amanhã. E foi.
Poderia ter seguido o rumo de ser unicamente a continuação, um amanhã qualquer, sem o tal artigo - o - revelando o sentido. Poderia ser daqueles dias inexpressivos, onde de memorável não há nada. Poderia ter escondido consigo o demérito de não ter preenchido essas incessantes horas de vazio.
Prefiro eu ir além. A questão que eu me aprofundo não está relacionada à utopia de fazer com que todo instante seja apreciável com um sabor nostálgico, supondo que não há o amanhã. Inconsequência é perigoso, um conselho seria uma certa cautela assegurando o próximo passo.
Não me refiro a paixões insaciáveis, a alegrias incontroláveis ou a festas intermináveis. Mundo real! Um domingo calado, um estudo profundo, um café amargo, um cotidiano, um adeus.
Mérito de quem consegue isso intensificar, louvável.
A perda do fôlego não é constante, ouso dizer que é rara. De fato, são estes os marcantes momentos da vida e, justamente, se fazem de tal forma por não serem banalizados. Então, o real desafio diário destinado à mim, é potencializar o que passaria despercebido pela rotina e pelo relógio que me segue. Necessito dessa mistura, e recomendo.
Na minha matemática, menos com menos não dá mais. Anseio um combo de insensatez e quietude, resultando em profundidade.
Venho transformando o tédio em bossa nova. Venho fazendo do cinza da tarde, um filme de Almodóvar.
O drama não faz mal, a cama não faz mal,
Insana.