Ela, em uma pausa qualquer, tornou a dizer: "Eu gosto de quem gosta de mim".
Imóvel, o meu relógio parou junto a uma odisséia de pensamentos. Antes fosse falta de autoestima, ímpeto ou carência. Aí se faz uma linha tênua entre a soma dos três aspectos ou, quem sabe, um quarto: conformismo.
Essa armadilha eu já conheço e venho desviando. Talvez seja o caminho mais singelo, afinal, onde não há ousadia, não há riscos. É a certeza da certeza. Uma segurança indolor. Simples.
Eu, descontente tornei essa afirmação um martírio. Sou viciada em buscas incessantes de respostas que me façam pulsar. A dúvida me alimenta, o seguro mofa.
Faço referência a sutis dúvidas implicantes aos sentimentos. Aquelas que te fazem vibrar ao mínimo sinal de descoberta de alguma resposta inesperada.
As incertezas sufocantes trazem consigo uma insegurança do inimaginável, desgastando a tranquilidade.
A frase dita ao contrário, também não me seria convincente. Repetiria as palavras: falta de autoestima, ímpeto ou carência - conformismo - para aqueles que gostam de quem não os gosta.
Não digo que é fácil, não digo que é lógico ou dócil. Apenas alguns tropeços resultaram na compreensão dos meus anseios. Hoje eu me permito, assim.
Se a metade de tais exigências se concretizarem, o saldo será positvo e singular.
Eu não almejo ser escolhida, mas sim escolher e se, por acasso, tais escolhas forem simultâneas, xeque-mate.
A requintada poesia afirma uma razão pela qual eu não consigo discordar.