28 de março de 2010

Sobre depois de amanhã

Ontem achei que hoje seria o amanhã. E foi.
Poderia ter seguido o rumo de ser unicamente a continuação, um amanhã qualquer, sem o tal artigo - o - revelando o sentido. Poderia ser daqueles dias inexpressivos, onde de memorável não há nada. Poderia ter escondido consigo o demérito de não ter preenchido essas incessantes horas de vazio.
Prefiro eu ir além. A questão que eu me aprofundo não está relacionada à utopia de fazer com que todo instante seja apreciável com um sabor nostálgico, supondo que não há o amanhã. Inconsequência é perigoso, um conselho seria uma certa cautela assegurando o próximo passo.

Não me refiro a paixões insaciáveis, a alegrias incontroláveis ou a festas intermináveis. Mundo real! Um domingo calado, um estudo profundo, um café amargo, um cotidiano, um adeus.
Mérito de quem consegue isso intensificar, louvável.
A perda do fôlego não é constante, ouso dizer que é rara. De fato, são estes os marcantes momentos da vida e, justamente, se fazem de tal forma por não serem banalizados. Então, o real desafio diário destinado à mim, é potencializar o que passaria despercebido pela rotina e pelo relógio que me segue. Necessito dessa mistura, e recomendo.
Na minha matemática, menos com menos não dá mais. Anseio um combo de insensatez e quietude, resultando em profundidade.
Venho transformando o tédio em bossa nova. Venho fazendo do cinza da tarde, um filme de Almodóvar.
O drama não faz mal, a cama não faz mal,
Insana.

21 de março de 2010

Um pouco menos de mim

Senti a necessidade de fugir da mente. Já fiz isso por pequenas diversas vezes desanimadas.
Não quero responsabilidades, já as tenho. Não quero a incumbência de estar certa, eu me tiro esse fardo. Não quero amanhãs, não quero metáforas e também não quero lições. Nada mais quero que sutis linhas despretensiosas, com um pé no chão e outro no céu, que me tirem um quilo da alma ou -até- me deixem inerte, eu aceito.

Seria uma brincadeira no escuro, apostando na casualidade. Eu bem diria que eu não tenho dificuldades, pois me pego fazendo o mesmo deitada, como alguém que se perdeu na clareza do teto ou na penumbra que me pesa as pálpebras mas que, porém, infelizmente, eu depois esqueço.

Então, eu vou me estendendo e daí presumindo que o alvo se fez visível e que a direção era essa. A minha mira foi digna de acerto mas, se chegará lá, eu realmente não quero saber. Apenas eu estava unida ao juízo de me permitir desinibidas e incaláveis letras que me (leia-se: "somente me") tragam conforto.


Eu quero mais vígulas,

Eu quero um pouco menos de mim.